domingo, 29 de julho de 2007

Poema de Isabel Maria Sampaio de Oliveira Lima


Isabel é minha amiga querida, irmã em planos de intocável referência.

Incluo aqui este seu poema, jóia entre muitas.

Somente porque vejo é que acredito que alguém pode sentir e escrever assim como ela.

Obrigada, Bel, por você e pelo milagre de sua palavra ligando Deus e homens e mulheres, abraçando generosamente nossa humanidade.




Habita em mim o mistério

Habita em mim o mistério

e em cada um, sua porção.

Nenhuma medida contém o infinito

Nenhum contingente dá limite

e nenhum espelho reflete a imagem inteira.

Habita em mim o mistério

e eu limpo, com um paninho de flanela,

a opacidade tanta deste humano espelho

onde, em sorriso, Deus se reflete

imenso e farto

borda musical de misericórdia

raiz e vento

vertigem de sossego de mim.

Nada O retém ou O transporta

porque, mistério pleno, não tem verbo

verbo nenhum que Lhe agasalhe a grandeza.

Melhor assim para amá-Lo inteira e analfabeta

enquanto sigo, no espelho, Seu hálito refletido

ajardinando meu medo em madressilva.

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