O mais legítimo prefácio



...vem do mais querido poeta, que leu meu manuscrito "A impossível transcrição (De tudo fica a poesia)" e aqui expressa sua sábia intuição do que seja este impossível movimento da escrita.

À querida filha Ana Cecília

Este é um universo poético em que o tempo flui, ora em momentos de saudade, ora de apreensão, nem sempre aclarados de sol, mas sempre reveladores de abismos e culminâncias. A consciência do ser por vezes é uma angústia em procura e por vezes uma realidade que dói. Mas uma plenitude ôntica é fonte motivacional permanente. A palavra, aqui, é abismo e força, sentimento e beleza, solidão e liberdade. Move, comove, fere, queima, procura e liberta. É pólo e substância. O próprio ser da poetisa é mistério transfigurante, é dor, é grito, é consciência, caminho, encontro e reencontro. Infinito endolorido e metanóia.

A palavra, aqui, não é mercadoria de vitrine, mas uma voz do interior mais recôndito e mais carente de comunicar-se. Nela, as incertezas transitam pelas angústias e pela esperança; esta, nem sempre explícita, mas ao alcance da percepção participante.

Da infância à maturidade, a poesia brota nestas composições, numa sofrida busca que é prenúncio de um amanhecer metafísico.

Salvador, 21 de novembro de 2006

José Newton Alves de Sousa
Encontro lunar. Foto de Mário Vítor Bastos.

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