Subways (notas extemporâneas)


Os metrôs são os intestinos das cidades neste lado do mundo que é outro. Vísceras que reconectam pessoas, fornecendo espaços transitórios pelos quais retornar ao mundo privado, afastando de cada rosto os traços que o tornam anônimo.

A imensa solidão humana das multidões na cosmopolita Londres, em dia de ameaça terrorista. Este mundo, que se apresenta como espelho da civilização, é oco.

É hora do rush e a multidão prossegue, seguindo impotente, quase autômata, imenso mecanismo, hidra de mil cabeças, seguindo.

Este é o rosto da solidão e da mais total incomunicabilidade.

Criamos células de alegria ali dentro, modos de estar como que subterrâneos. Subways. Felizes no deserto. Como disse meu filho à nossa anfitriã após sua primeira viagem mais longa, aos três anos: "eu gosto muito de você, mas a minha felicidade não foi aí em Brasília, foi aqui em Salvador".
Lugar Nenhum. Foto de Mário Vítor Bastos.

Comentários

mario disse…
e continuo dizendo, aos 26 anos, depois da minha viagem mais longa, a minha felicidade esta' ai' em Salvador.
:-)

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