Não é verdade que Caetano não mora mais aqui


Para meu irmão Beto (que é mais do que um),
com amor.
Peter Gast


Caetano Veloso




Sou um homem comum

qualquer um

enganando entre a dor e o prazer

Hei de viver e morrer

como um homem comum

mas o meu coração de poeta

projeta-me em tal solidão

que às vezes assisto

a guerras e festas imensas

sei voar e tenho as fibras tensas

e sou um



Ninguém é comum

e eu sou ninguém

No meio de tanta gente

de repente vem

mesmo eu no meu automóvel

no trânsito vem

o profundo silêncio

da música límpida de Peter Gast

Escuto a música silenciosa de Peter Gast



Peter Gast

o hóspede do profeta sem morada

o menino bonito Peter Gast

Rosa do crepúsculo de Veneza

mesmo aqui no samba-canção

do meu rock'n'roll

Escuto a música silenciosa de Peter Gast

Sou um homem comum




Beto. Foto de Mário Vítor.


Comentários

José Eduardo disse…
Ana, sem Caetano não dá. Obrigado pela canção. Dinho.
Janaína Calaça disse…
Na multidão, somos apenas corpos, rumando em direções opostas ou não, perdidos na tensão do prazer e da dor, alimentados por sonhos, que é aquilo que nos mantém, de alguma forma, da vontade de quietude.
Somos homens comuns, solitários em nossas experiências intransferíveis, limitados pela palavra, que não dá conta de sensações, que é manca em uso. Vivenciamos só a experiência da dor e do gozo e será assim até o fim, até o ponto imposto, ate o acabar das linhas.

Beijos, querida.

Jana.
Ô,Ana,querida!

Muito abrigada pelos carinhos que se atam nas suas palavras.

A materna idade chega num pra sempre sem palavras.
E os filhos são amor tão puro,quanto a água dos poços da infância...

Em 1 ano há mesmo muita vida!

Um grande beijo!

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