A poética da Esperança


"Mas a Esperança, disse Deus
Isso sim me admira,
admira até a Mim mesmo.

Que estes pobres filhos vejam como hoje caminham
as coisas, e creiam que amanhã tudo irá melhor,
isto sim que é assombroso e é, com muito,
a maior maravilha de nossa graça.

E eu mesmo me assombro com isso.

Que será necessário que seja minha graça
e qual a força dessa minha graça
para que esta jovenzinha Esperança,
vacilante ante o sopro do pecado,
trêmula ante os ventos,
agonizante ante o menor sopro,
siga estando viva,
impossível de apagar?

Esta pequena Esperança que parece coisa de nada,
esta jovenzinha Esperança.
Imortal.

Pelo caminho escarpado, arenoso e estreito,
arrastada e braços dados
com suas duas irmãs maiores,
segue a jovenzinha Esperança
como uma criança sem forças para caminhar.

Mas na realidade é ela
quem faz andar às outras duas,
e que as arrasta
e que faz andar o mundo inteiro.

Pois a Fé vê apenas aquilo que é
e ela, ela vê aquilo que será.
A Esperança vê o que ainda não é mas será
no futuro do tempo e da eternidade".


Charles Péguy. Le Porche du Mystère de la Deuxième Vertu.
Tradução disponível no site http://www.permanencia.org.br/, acessado em 07/10/07. Originais em Péguy, C. Oeuvres Poétiques Complètes. Éditions Gallimard, 1970.



Fé. Foto de Mário Vítor.

Comentários

A esperança...Dança sempre de rosto colado com a gente.:)

Seus comentários são sempre caros pra mim e sempre,sempre venho acalmar meus olhos em suas palavras de casa tranquila.

Agora veja...rs...Estou eu a procurar algum mestrado nas universidade daqui,logo me interesso por um...E,quando me dou por conta,ó seu nome lá como docente!rs

Não sabia que era psicóloga,querida!Que coisa mais bacana!

Fiquei feliz com esse outro encontro.

Um abraço muito apertado,Ana.

Postagens mais visitadas