quinta-feira, 29 de novembro de 2007

On line








Por que tais poemas e não outros
aqui se perfilam on line?
Por quem se desdobram,
que nem sinos,
os poemas?

Em algum lugar há um saber deles,
com eles,
à sua revelia.

Um saber que nem vidro estilhaçado,
que nem imagens que se dissolvem na névoa,
que nem corações
partidos.


Franja. Foto de MVítor.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

domingo, 18 de novembro de 2007

Da beleza de Deus






Olhos alados.
Palavras sem trégua.
Mas não escrevo, poesia distante.
Meu manuscrito circulando.
Leitores reticentes.
Dentro de mim o dragão, olhos alados.

Sou um continente e seus rios que correm, mansos e em fúria.
Sou as palavras desatadas quando algo me desperta, algo
gratuito e fortuito disperso
em algum atalho,
eu sem caminhos.

Apenas um caminho, e eu distante.
Rios fluem mansamente.
Persisto no erro, furiosamente.
Rios fluem, e sou eu.

Perco a palavra e o destino.
Só o amor de Deus me salva,
a mim,
que não fiz por merecer.



Remando contra a corrente. Foto de Mário Vítor.

Azul sem fim




Na calada da noite,
esboço um frágil exercício de recolher palavras,
escritos extraídos do silêncio.

Fluxo que acontece à minha revelia,
enquanto pastoreio nuvens,
deserta de mim,
ausente do concreto.

O chão, impossível sempre.
O infinito que salva.

Azul-sem-fim. Foto de Mário Vítor.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

domingo, 11 de novembro de 2007

Nostalgia do deserto



Porque é preciso comentar a visão do mar hoje.

Ver o mar, ouvir o mar, gratuitamente.
Sem pressões de ter que caminhar para exercitar-se ou ficar saudável ou purgar-se pelos excessos cometidos - tudo a mesma coisa, afinal.
Sem pressões do tempo curto, de voltar para compulsoriamente concluir um trabalho, de voltar -vigilantes patéticos - antes que o sol esquente demais, cumprindo a sina e o ritual de temer os raios solares e o câncer e a destruição do planeta. Cronometramos a exposição ao sol, evitamos a dor de cabeça, agendados no vídeo que nos monitoriza sem cessar.
Tudo isso é insuportável.

Importa ver os peixinhos, deixar estar, descobrir um caramujo enorme fora de seu invólucro, seus tentáculos/ventosas envolvendo as plantinhas na busca do alimento, parar, fazer sua analogia da deglutição, cercar novamente as plantinhas...

E viver o deserto do mar, a solidão do homem no mar.
Sem palavras.

Verdes Mares. Foto de M.Vítor

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Passante




por vezes quedo-me hirta
imitando os passantes

a chuva chove a si mesma e eu
desespero-me de ser
Sem título. Foto de Mário Vítor.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Cores em festa


O meu fotógrafo favorito, presente aqui no Casulo, e meu filho querido, acaba de ter suas fotos aceitas na XV Bienal de Arte Fotográfica em Cores. A "Pisciana" (primeira à esquerda) ganhou menção honrosa.

Dias de cores e corações em festa!

Maiores detalhes no endereço: http://www.flickr.com/photos/mvitor/1863478957/

A mostra prossegue por todo o mês de novembro no Forte São Marcelo, um lugar belíssimo, o umbigo da cidade, de onde a beleza da cidade nos envolve em pura magia, sem palavras.

Parabéns, filho!


Finados

Por toda a semana, Salvador está estranhamente silenciosa. Há tensão e medo nas ruas, e uma absurda falta de alegria. Nem os motoristas d...