quinta-feira, 29 de novembro de 2007

On line








Por que tais poemas e não outros
aqui se perfilam on line?
Por quem se desdobram,
que nem sinos,
os poemas?

Em algum lugar há um saber deles,
com eles,
à sua revelia.

Um saber que nem vidro estilhaçado,
que nem imagens que se dissolvem na névoa,
que nem corações
partidos.


Franja. Foto de MVítor.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Algo extraordinário

Uma anciã de 95 anos ganha o prêmio de melhor blog espanhol. O endereço é: http://amis95.blogspot.com/

Vale a pena conferir.

domingo, 18 de novembro de 2007

Da beleza de Deus






Olhos alados.
Palavras sem trégua.
Mas não escrevo, poesia distante.
Meu manuscrito circulando.
Leitores reticentes.
Dentro de mim o dragão, olhos alados.

Sou um continente e seus rios que correm, mansos e em fúria.
Sou as palavras desatadas quando algo me desperta, algo
gratuito e fortuito disperso
em algum atalho,
eu sem caminhos.

Apenas um caminho, e eu distante.
Rios fluem mansamente.
Persisto no erro, furiosamente.
Rios fluem, e sou eu.

Perco a palavra e o destino.
Só o amor de Deus me salva,
a mim,
que não fiz por merecer.



Remando contra a corrente. Foto de Mário Vítor.

Azul sem fim




Na calada da noite,
esboço um frágil exercício de recolher palavras,
escritos extraídos do silêncio.

Fluxo que acontece à minha revelia,
enquanto pastoreio nuvens,
deserta de mim,
ausente do concreto.

O chão, impossível sempre.
O infinito que salva.

Azul-sem-fim. Foto de Mário Vítor.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Raio



Em Brasília, a chuva era açoite,
a cidade atônita.


Raio. Foto de Joselito Britto (outubro de 2007).

domingo, 11 de novembro de 2007

Nostalgia do deserto



Porque é preciso comentar a visão do mar hoje.

Ver o mar, ouvir o mar, gratuitamente.
Sem pressões de ter que caminhar para exercitar-se ou ficar saudável ou purgar-se pelos excessos cometidos - tudo a mesma coisa, afinal.
Sem pressões do tempo curto, de voltar para compulsoriamente concluir um trabalho, de voltar -vigilantes patéticos - antes que o sol esquente demais, cumprindo a sina e o ritual de temer os raios solares e o câncer e a destruição do planeta. Cronometramos a exposição ao sol, evitamos a dor de cabeça, agendados no vídeo que nos monitoriza sem cessar.
Tudo isso é insuportável.

Importa ver os peixinhos, deixar estar, descobrir um caramujo enorme fora de seu invólucro, seus tentáculos/ventosas envolvendo as plantinhas na busca do alimento, parar, fazer sua analogia da deglutição, cercar novamente as plantinhas...

E viver o deserto do mar, a solidão do homem no mar.
Sem palavras.

Verdes Mares. Foto de M.Vítor

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Passante




por vezes quedo-me hirta
imitando os passantes

a chuva chove a si mesma e eu
desespero-me de ser
Sem título. Foto de Mário Vítor.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Cores em festa


O meu fotógrafo favorito, presente aqui no Casulo, e meu filho querido, acaba de ter suas fotos aceitas na XV Bienal de Arte Fotográfica em Cores. A "Pisciana" (primeira à esquerda) ganhou menção honrosa.

Dias de cores e corações em festa!

Maiores detalhes no endereço: http://www.flickr.com/photos/mvitor/1863478957/

A mostra prossegue por todo o mês de novembro no Forte São Marcelo, um lugar belíssimo, o umbigo da cidade, de onde a beleza da cidade nos envolve em pura magia, sem palavras.

Parabéns, filho!