domingo, 18 de novembro de 2007

Da beleza de Deus






Olhos alados.
Palavras sem trégua.
Mas não escrevo, poesia distante.
Meu manuscrito circulando.
Leitores reticentes.
Dentro de mim o dragão, olhos alados.

Sou um continente e seus rios que correm, mansos e em fúria.
Sou as palavras desatadas quando algo me desperta, algo
gratuito e fortuito disperso
em algum atalho,
eu sem caminhos.

Apenas um caminho, e eu distante.
Rios fluem mansamente.
Persisto no erro, furiosamente.
Rios fluem, e sou eu.

Perco a palavra e o destino.
Só o amor de Deus me salva,
a mim,
que não fiz por merecer.



Remando contra a corrente. Foto de Mário Vítor.

4 comentários:

Janaína Calaça disse...

Somos continentes, a aparência da quietude, somos rios, a certeza do movimento. Somos estilhaços de mundo, somos parte de cada coisa. Cada vez que respiramos, cada vez que caminhamos, misturamos nosso corpo, que mistura já é, ao mundo que nos cerca.
Ana, eu recebi seu abraço e carinho e guardo-o aqui entre as coisas boas e verdadeiras. Num mundo com tantas verdades soltas, fica difícil saber o que realmente é certeza ou o que é apenas aparência. :********** Seu carinho é certeza.

Beijos

Jana.

Maria Muadié disse...

Que bonito.
Linda foto.

lully, Reflexiones al desnudo disse...

Me embeleso, suspiro por tus letrasa bonitas.

Un abrazo cálido para tí desde Colombia!

Carlos disse...

Ana, minha irmã,

Carrego cá minhas dúvidas.
Não sei se Deus é belo. Não sei se Deus é justo. Não sei se Deus é Deus.

Mas seus versos são magníficos. Se ele não é, então valeria a pena ser para lê-los. Ou lê-los para ser.

Carlos Machado