Nostalgia do deserto



Porque é preciso comentar a visão do mar hoje.

Ver o mar, ouvir o mar, gratuitamente.
Sem pressões de ter que caminhar para exercitar-se ou ficar saudável ou purgar-se pelos excessos cometidos - tudo a mesma coisa, afinal.
Sem pressões do tempo curto, de voltar para compulsoriamente concluir um trabalho, de voltar -vigilantes patéticos - antes que o sol esquente demais, cumprindo a sina e o ritual de temer os raios solares e o câncer e a destruição do planeta. Cronometramos a exposição ao sol, evitamos a dor de cabeça, agendados no vídeo que nos monitoriza sem cessar.
Tudo isso é insuportável.

Importa ver os peixinhos, deixar estar, descobrir um caramujo enorme fora de seu invólucro, seus tentáculos/ventosas envolvendo as plantinhas na busca do alimento, parar, fazer sua analogia da deglutição, cercar novamente as plantinhas...

E viver o deserto do mar, a solidão do homem no mar.
Sem palavras.

Verdes Mares. Foto de M.Vítor

Comentários

Leandro Jardim disse…
De total acordo :)

abraços
Jardineiros
Sílvia Câmara disse…
Como você disse no Brisa: também não consigo passar no Casulo e sair ilesa.
O anzol fisga.
Estou indo hj rever os verdes mares. Matar a saudade até sábado.
Depois, Salvador me terá de volta com as baterias recarregadas.
um beijo, querida
Adorei a foto.

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