Passagem



Os dias escorrem entre meus dedos,
mas resisto.
Todos os membros fincados
em chão de giz
ou nuvem.

Minha realidade, sim.
E é vibrante,
viva.

Meu Deus.

Tanto a percorrer.
Invento as trilhas e me ergo,
escalo as paredes de cada dia.

Moro na poesia,
sem escolha.

Foto de Mário Vítor.








Comentários

Muito bonito,Ana.

Reiventar a poesia a cada sol é tarefa de poeta e só.

Beijo garnde.
Maria Muadiê disse…
Ana, às vezes penso que resistimos por ser a única opção.
Pavitra disse…


mora na poesia
- lugar-dentro que não resiste
à ventania
nem a tempestades
nuvens ou ao amor...

mora na poesia
que como hera verdeja até os muros...

mas vc mora na poesia sem muros!

e meus olhos, que aprenderam com quintana o tempo de não ser breve, de passagem, demoram-se por aqui...

Ianê Mello disse…
Ana

Num passeio pelo seu blog me sensibilizei com seus poemas, dotados de extrema leveza.

Moramos na poesia por sermos dotados de grande sensibilidade e por encontrarmos nela nossa forma de expressão.

Bela construção poética!

Convido você a passear pelos labirintos de minh'alma e conhecer minha morada.

Um abraço.

Ianê.

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