Um poema [absoluto] de Adélia Prado




Reza para as quatro almas de Fernando Pessoa


Adélia Prado


Da belíssima "Ode à noite antiga"

resulta que eu entendo, limpo de esforço

e vaidade, se nos fosse possível:

da oração verdadeira nasce a força.

Ninguém se cansa de bondade e avencas.

Os rebanhos guardados guardam o homem.

Todos que estamos vivos morreremos.

Não é para entender que nós pensamos,

é para sermos perdoados.

Pai nosso, criador da noite, do sonho,

do meu poder sobre os bois,

eis-me, eis-me.


Em: Bagagem. Rio de Janeiro, Record, 2003.


Indo de volta pra casa. Foto de MVítor.

Comentários

Fernanda disse…
Linda foto,lindo poema,lindo casulo.

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