domingo, 28 de setembro de 2008

Blog-episteme (5)


É do estatuto dos blogs o fazer-se/desfazer-se, assim como o é a estética do baú.

Remexer antigos escritos ou registros emergentes, mesmo se efêmeros, esmiuçar sua possível vida, em flashes quase fotográficos.

Também deixar que os textos se mostrem e circulem - aqueles de outros, que gritam em nós até que criemos espaço para eles, e os nossos próprios, quando doem ou apenas brincam.

Já não me preocupo tanto em definir o que é e para que serve um blog. Deixo que esteja, e o que tem maior impacto é a rede que ciranda em torno, movimento livre, fluido, discreto ou cantante. Pessoas que já estão em minha vida, outras que chegam, os "pequenos" (meus queridos jovens e extraordinários poetas) e suas lindas palavras, sinal de esperança tanta. Tudo o que me comove.

Não há lugar nele para arrependimentos, literários ou de outra sorte. Blogs são pós-modernos. São fragmento do cotidiano, rede de ligações e memória. Assim chegam, como canções no rádio, por vezes apenas matando o tempo, por vezes de inesperada beleza. Esta, a efêmera vida dos blogs. Mas, o que seria de nós sem as canções que tocam no rádio?

Deixar, pois, que o blog simplesmente esteja, casulo ou cápsula, bandeira desfraldada, tristeza ou alegria, silêncio ou evocação.



Derivações. Foto de MVítor.

3 comentários:

Maria Muadiê disse...

Uau, linda postagem.
beijo,
Martha

Raiça Bomfim disse...

Que bom que você está aqui.

Cosmunicando disse...

e assim como canção de rádio chego por aqui, e me comovo com o que leio...
adorei seus textos.