Blog-episteme (5)


É do estatuto dos blogs o fazer-se/desfazer-se, assim como o é a estética do baú.

Remexer antigos escritos ou registros emergentes, mesmo se efêmeros, esmiuçar sua possível vida, em flashes quase fotográficos.

Também deixar que os textos se mostrem e circulem - aqueles de outros, que gritam em nós até que criemos espaço para eles, e os nossos próprios, quando doem ou apenas brincam.

Já não me preocupo tanto em definir o que é e para que serve um blog. Deixo que esteja, e o que tem maior impacto é a rede que ciranda em torno, movimento livre, fluido, discreto ou cantante. Pessoas que já estão em minha vida, outras que chegam, os "pequenos" (meus queridos jovens e extraordinários poetas) e suas lindas palavras, sinal de esperança tanta. Tudo o que me comove.

Não há lugar nele para arrependimentos, literários ou de outra sorte. Blogs são pós-modernos. São fragmento do cotidiano, rede de ligações e memória. Assim chegam, como canções no rádio, por vezes apenas matando o tempo, por vezes de inesperada beleza. Esta, a efêmera vida dos blogs. Mas, o que seria de nós sem as canções que tocam no rádio?

Deixar, pois, que o blog simplesmente esteja, casulo ou cápsula, bandeira desfraldada, tristeza ou alegria, silêncio ou evocação.



Derivações. Foto de MVítor.

Comentários

Maria Muadiê disse…
Uau, linda postagem.
beijo,
Martha
Raiça Bomfim disse…
Que bom que você está aqui.
Cosmunicando disse…
e assim como canção de rádio chego por aqui, e me comovo com o que leio...
adorei seus textos.

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