sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Poema antigo


Às vezes desperto e há um poema antigo. Como este, que retorna, certamente provisório, pelas frestas do todo dia.

Tristeza

é como parar
entre o necessário prosseguir
e a perdida identidade

é como fechar os olhos
e ouvir vozes concretas
de pedra e sangue

é como morrer
a inútil dimensão
que te encarcera

é como chorar invisíveis lágrimas
na crista das definitivas
ondas

é como sentir no rosto salpicos de mar
personalizados
em lágrimas

é como, em silêncio, dormir
e deixar que o poema
se escreva.
Nudez. Foto de MVítor.

5 comentários:

Maria Muadiê disse...

belo poema, Ana.

Camila Lemos Barata disse...

Olá,Ana!

Para mim é de igual agrado passear por seus caminhos...

Lindíssimo poema.

Um sorriso pra ti.

Mariana disse...

seguindo rastros, cheguei por aqui...
e gostei do que vi.

vou me avizinhando, se permite.

abraço

Adair Carvalhais Júnior disse...

Belo blog Ana.

Sofia Fada disse...

Adorei o poema, especialmente a parte final...
parabéns!
bjs
Sofia