Notas perdidas em um canto, sem data ou lugar



[Do self dialógico]


Coisas vistas de relance, contos mínimos que gostariam de ser escritos.

Eu poderia ser essa página em branco querendo ser escrita, se tivesse um livro de cabeceira. Se tivesse um tempo de cabeceira, essa coisa entre parênteses que ajuda a não dormir para sempre.
Mas é um só o tempo, e não me pertence. Não pertence a ninguém. E queremos, cegos e surdos, dominar o tempo. Queremos.

Esse conto que se quer escrito é fragmentos. Coisas ditas, e seus silêncios. Cantos de coisas, prefiro, pedaços de olho, mão, voz. Frases reunidas absolutamente ao acaso, aquilo que às vezes se escuta, dialogia possível.

As coisas que escuto quando estou presente.
Não sei ao certo quando estou. É tudo incerto.

Palavras no canto lucilam. Vagalumes. Vagam. Luminam.

Estou nostálgica. Estou como uma superfície não refratária. Se existe isso? Sei lá eu. Raios de energia chegam e estou intacta. Nada devolvo, não quero. Essas palavras mesmas, não quero.
A superfície não refratária, imune à ação dos raios, é lisa como vidro, espelho externo que não sou eu.

Tudo nela desliza.


O outro. Foto de MVítor.

Comentários

denise disse…
ana, que beleza, a foto, o texto, as palavras de ambos!
você retrata, entrega, não desvia suas luzes, será que é o que você diz ao dizer-se não refratária?
o texto anterior é uma enormidade indescritível! entre esta senhora e você quanto se construiu...
obrigada, beijos, denise.
Cosmunicando disse…
tudo lucila nesse seu texto... vagaluma, vagueia e alumia.
Este comentário foi removido pelo autor.
Mensagem de Bel, desde o Timor Leste. Tudo isto:

CASULO RARO

Ana, eu quero um blog!
Mais do que um gato, mais do que um companheiro manso que fale
Português, meu Deus, nesta Babel insular, eu quero um blog!

Quero um temporário estar ali, pairando no colo virtual, além da Asia, além da Bahia, além desta madrugada Timorense que insiste em dizer sim.

Ana, eu quero um blog!
Quando eu chegar, então, antes de abrir as malas, eu juro, curo este
mal de raiz: lava-me, Senhor, com um blog para que eu possa merecer as fotos de MVitor.

Só isto.
Queridas amigas!

hoje no Casulo é festa pra mim, com as mensagens de vocês.
Beijos!
Bel, que saudade! Volte logo pra nós.
Mariana disse…
Ana!

juro que seu texto entrou em mim.
me sinto num dia desses que todas as coisas me doem de tanto que as sinto.

seu texto, de tanta luz, me doeu.

eu adorei.
Pavitra disse…


às vezes tbm me acontece
palavras serem vagalumiadas
e vistas de relance (não só as coisas)
esfinges na cabeceira do sonho...

outras vezes meus olhos
vêem palavras que brilham assim
como as suas
que aqui me fizeram deslizar
para dentro de mim...

beijos, ana!

soledade disse…
Um poema cintila aqui:

"Palavras no canto lucilam. Vagalumes. Vagam. Luminam."

Todo o texto, tão bom de ler! Parabéns. E saudações felinas :)
Luísa disse…
Adorei este espaço...Voltarei brevemente para partilhar o doce sabor do silêncio e do seu burburinho no ouvido de quem sabe olhar o mundo!

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