Ficção




Compressão sobre a alma.
Tenho pressa, ânsia pelo que me escapa.
Tudo como que se me esvai,
e nem a palavra, o gesto, o silêncio
podem estancar.

Hemorragia em que perco de mim substância,
plasma, alma, coração.
O tudo que em mim é coincidente com esse substrato.
Fugidio, frágil.
Untouchable.
Denso como brumas e certezas do ser.
Espasmos que me atravessam brônquios e útero até que me quedo desarmada.
Tudo são imagens, cenas, memórias.

Espasmos na alma.
Conexões.
Refúgios clandestinos, no tempo e no espaço.
Corro para ficar só, triste,
triste que nem uma coisa,
que nem um bicho.

Ferido.

Incomunicável.



Publicado em A impossível transcrição (De tudo fica a poesia).
Mandala. Foto de MVítor.


Comentários

Pavitra disse…

a beleza do poema é e basta a si mesma!

e o que não tem palavras
é justo o que nasce
em cada sentimento que você
nos fornece
do forno da alma...

beijos, ana!

fred disse…
Ótimo poema.
Beijos
Cosmunicando disse…
contundente e belo, Ana.
você sempre me comove.
beijos
Obrigada pelas visitas e doces palavras.
Ando correndo demais neste fim de ano.
beijos!
É isso mesmo, é exatamente assim :~

Lindo, Ana.

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