Genebra, setembro, 2001 (última semana da Série Viagens)



O ritmo do congresso é um tanto anestesiante.

Na cidade, deambulamos.
Le Jet d’eau, como eu aqui, à mercê de um movimento que é externo. E, no entanto, capaz de refração. Flutuo em seu arco-íris, deleito-me com a forma em constante mutação.

*

Ainda 50 minutos esperando o trem.

Este congresso: o intercultural na política, na filosofia/antropologia, na sociologia, na ética, na literatura. Muitas impressões - o que significa um espaço como esse? Ir-e-vir; reconhecer-se; um modo francophone que me toca. A literatura, mil por um – nem importa que a Leïla Sebbar seja feminista pure dure sei lá mais o que (mais uma moda, mais um desses formatos de que tenho horror, acho ridículos. De um modo um tanto “feminista”, esse excesso de rótulos e ritos me envergonha em outras mulheres).

Tento abstrair os significados mais importantes desse estar intercultural, para além dos jargões, dos “politicamente corretos”, dos jogos do poder. Há uma compreensão que se dá, e apreendo essa coisa na dimensão psicológica, mesmo se a psicologia que se mostra aqui é aborrecida, irrelevante, chata, absolutamente ennuyante. Como se, para se considerar o inter, se empobrecesse o objeto.

Elaine faz projetos, se entusiasma com possíveis trabalhos conjuntos com os colegas do Benin e as duas irmãs argelinas. Muçulmanos, judeus e cristãos pesquisando juntos. Parece estranha essa forma de identificação, mas não posso deixar de pensar que por algum motivo estamos aqui, justo nesse momento. Logo após este 11 de setembro, ainda e sempre a fraternidade entre os homens, e não a guerra.

*

Da fala de Leïla Sebbar, escritora, crescendo entre Argélia e França:

Être dans mon livre: quand je suis dans mon livre je suis ailleurs. ...mais aussi um espace clos. Je suis la fille de mon père.....La fille de ma mère...Et la fille de moi-même, comme le sont toujours les écrivains.
Jet d'eau. Disponível em http://www.geneve-tourisme.ch/

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