domingo, 30 de novembro de 2008

Prece


Para Silvana e Sérgio.


Um domingo de nuvens, paz e silêncio.
O dom e a dor da vida têm igual força,
e assim tudo aquilo que começa e finda,
entre cegueira e luz,
esplendor e miséria.


A palavra não dita, o gesto recolhido, a dor destes tantos mortos
me ferem a alma como se fossem o mesmo
punhal.


Essa ferida, meu Deus,
eu sei,
é para que eu me dê conta
e me reconheça criatura.
Esta é a minha prece:
faz-me compreender que nesta vida sou eu
quem passa necessidade
de Tua
misericórdia.


Oratório. Foto de MVítor.

7 comentários:

Pavitra disse...


e é assim que reconhecemos
o papel da tristeza,
que contundente, mas precisa,
nos aprofunda
e ainda que não seja tão aceita, penso assim:
a tristeza é a escuridão necessária à semente
para atingir a maturidade de desejar tornar-se o que deve ser...
e corajosamente, um dia, ela brota!

beijos, ana!

p.s. esse poema me fez pensar nessas coisas, uma semente é tão segura dentro da própria casca e uma flor é tão frágil...

Luísa disse...

Um beijo ao entardecer...com nostalgia!

Cosmunicando disse...

o oratório vazio... tão cheio de prece.
o coração com tudo o que cabe nele, e é tanto!

eu nunca passo por aqui impunemente.

beijos Ana.

Anônimo disse...

Ana, muito lindo! Estou sempre viajando nas coisas escritas por você. Quando você escreveu sobre as viagens ao Ceará para casa de seus avós, por exemplo, me vieram à memória também cenas em viagens feitas com meu pai, minha mãe e meu irmão na minha infância num fusquinha verde.

Beijo! Ana Maria (CL)

Anônimo disse...

Ana,essa também tem sido a minha prece: que a dor que estamos sentindo possa ser habitada pelo rosto de Cristo, porque somente Ele me satisfaz
Obrigada pela sua amizade e carinho

Diogo em Macau disse...

Muito bonita, esta oração!

fred disse...

Belíssimo poema, Ana.
Beijos