sábado, 14 de março de 2009

Stacatto






É o verão que se insinua.
É a gota de sangue na letargia da tarde.
O aconchego das nuvens ao entardecer.
Rosas e azuis.

Não vi o semblante das ruas e pessoas.
Talvez alguns passos.

Não vi o suor ou a lágrima colados ao humano.
O dia é cor de shopping e estou morta.


Publicado em A Impossível Transcrição (De tudo fica a poesia).
Abstrato. Foto de MVítor.

sábado, 7 de março de 2009

Tempo de contar estórias



Eram dois gatinhos.
Um entrou pela porta do sol e virou ouro,
Outro saiu pela lua todo prata.

Eram dois gatinhos,
Que se vestiram para uma festa
E nunca sujaram as suas luvinhas.

Mamãezinha, mamãezinha,
Eram dois gatinhos,
Amaciando o caminho.


Desenho de Ígor Souza.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Entradas de março, suaves, distantes





Definitivamente silêncio.
Uma virose. Um vazio.
Imagens que são apenas acalanto,
nuvens nebulosas onde me deito e repouso,
sem qualquer realidade.

A literatura que não é mais clandestina.
Amigos poetas on line, pura festa.

Atravessando tudo isso, pontilhão ilógico, estrutura às avessas,
essa tristeza.
Cor de chumbo, pesada
- ou etérea, como saber?

Irreal,
inexistente.

Estilhaços de algum meteorito sem destino ou razão.
Lançados do nada, ou do mais essencial.
Vida minha e de outros,
dores de outros e minhas.
E caem sobre mim,
e me estilhaçam,
e nada sou,
e desmorono,
deserta atrás de todos esses eus em que me expresso
e sou.

Luz. Foto de MVítor.