Entradas de março, suaves, distantes





Definitivamente silêncio.
Uma virose. Um vazio.
Imagens que são apenas acalanto,
nuvens nebulosas onde me deito e repouso,
sem qualquer realidade.

A literatura que não é mais clandestina.
Amigos poetas on line, pura festa.

Atravessando tudo isso, pontilhão ilógico, estrutura às avessas,
essa tristeza.
Cor de chumbo, pesada
- ou etérea, como saber?

Irreal,
inexistente.

Estilhaços de algum meteorito sem destino ou razão.
Lançados do nada, ou do mais essencial.
Vida minha e de outros,
dores de outros e minhas.
E caem sobre mim,
e me estilhaçam,
e nada sou,
e desmorono,
deserta atrás de todos esses eus em que me expresso
e sou.

Luz. Foto de MVítor.

Comentários

Janaina Amado disse…
Ana Cecília: gostei imensamente deste poema. Sabe por quê? Porque estou me sentindo agora (desde manhãzinha) exatamente assim. Até na pretensa causa a estilhaçarem o meteorito: uma virose. Abraços.
Jana, espero que essa virose passe bem rápido! Esses momentos são como se ficássemos em suspenso, vulneráveis, conscientes de outras dimensões.Fico assim, tomada pelo corpo.
abraço grande!
Adrianna Coelho disse…

"A literatura que não é mais clandestina.
Amigos poetas on line, pura festa."


tbm gostei muito desse poema, ana, ele de fato expressa essas sensações que temos vez por outra, esses desertos de nós...
e o que destaquei é só para dizer que é mesmo muito bom que sejamos amigas, ainda e ainda que on line. :)

beijos

com certeza, Adrianna, os blogs são portais para esses encontros, uma surpreendente forma de resistência...
grande beijo.
Como expressar aquilo que é de outro e parece ser tão seu? É essa cor cinza, em verdade iridescente, aquilo que nos liga.

Que poema mais lindo...

Abraço grande, Cecília.

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