segunda-feira, 22 de junho de 2009

São João






Noite junina

Em meu silêncio há ruídos de São João.
Agora é noite alta.
As pessoas já não soltam fogos.
A cidade já não parece
uma praça de guerra sob intenso bombardeio.

Escuto,
maravilhada,
este silêncio junino.

Olho com olhos de infância o céu de Salvador,
coalhado de balões.
Salvador tremeluzia-se no céu,
e nos balões,
o meu coração.

Agora a cidade chora, desnuda,
de seu manto de vagalumes.


Recordação

Agora sou menina
e no escuro da noite
sem luz elétrica
há fogueira e rostos fascinados.

E eu sou livre e o fogo,
sedução.


Reflexos de uma cidade sônica. Foto de MVítor.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Um poema de Vera Lúcia de Oliveira



SEMPRE

fui sempre
de percorrer na carne
o puído dos vãos
sempre de por o pé
na intimidade
das veias
sempre de lavrar
os dias mais
ferozes

para que doendo
amansem a morte

Publicado em Entre as junturas dos ossos. Obra vencedora do I Concurso Literatura para Todos. Brasília, Ministério da educação, 2006.

Sobre Vera Lúcia, ver também: http://xoomer.virgilio.it/cmaccher/

Foto de MVítor.