segunda-feira, 1 de junho de 2009

Um poema de Vera Lúcia de Oliveira



SEMPRE

fui sempre
de percorrer na carne
o puído dos vãos
sempre de por o pé
na intimidade
das veias
sempre de lavrar
os dias mais
ferozes

para que doendo
amansem a morte

Publicado em Entre as junturas dos ossos. Obra vencedora do I Concurso Literatura para Todos. Brasília, Ministério da educação, 2006.

Sobre Vera Lúcia, ver também: http://xoomer.virgilio.it/cmaccher/

Foto de MVítor.

6 comentários:

Mariana Botelho disse...

"entre as junturas dos ossos" - ótimo livro da Vera Lúcia, de quem sou fã!

Maria Muadiê disse...

Não conhecia...que bonito!

Cosmunicando disse...

uau!

Janaina Amado disse...

Gostei, é o primeiro de muitos poemas desta poeta que espero ler.

Ramon Alcântara disse...

Doer lá dentro não é metáfora! Amei!

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Acompanhe: http://os-desconhecidos.blogspot.com/

os desconhecidos

Uma coletânea de minicontos que se interligam ou um romance que se forma em seus fragmentos. As personagens que percorrem o mundo em solilóquios e de repente se esbarram em alguém ou entra em contato social de alguma forma com um outro. Forma-se assim uma rede de desconhecidos que mantém vínculos no encontro cotidiano, ordinário, momentâneo. O leitor, como se acompanhasse uma prova de revezamento, é levado pelas curvas dos desconhecidos. De fulano para beltrano, de beltrano para ciclano e tal...

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Abzzzz

ediney disse...

não conhecia tua poesia, foi uma bela descoberta, são versos profundos e sinceros