sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Escritos extraídos do silêncio (II)




Imagens desatadas.
Fluxo vivo.
Mas me encouraço neste silêncio.

Ou no limite da minha diferença, que é onde estou.
Lúcida, pronta para a grande viagem do ser.
Nem me fira a fé, como à terra o arado, embora.


E no entanto escrever, ainda, poemas herméticos,
palavras que transcendem os acontecimentos imediatos.

Se escrevo tão somente coisas mínimas, dentro de mim
as palavras se pejam, grávidas,
prontas para o parto.


Véu. Foto de MVítor.

3 comentários:

Wilson Torres Nanini disse...

Poeta, poetas são como conchas: têm a pérola, mas às vezes se fecham em treva autofágica. Depois, eclodem em fogos de artifício, como no seu parto, como que se desatando de algo que ganhou vida própria. Abraços!

Ana Cecília disse...

É verdade, Wilson.
E dessa vida própria da palavra nos alimentamos.
Obrigada por sua visita!

Ianê Mello disse...

Poetas que somos, em nossos versos expurgamos a dor, numa catarse.

E que bem faz esse dilúvio de emoções contidas, represadas pelo silêncio.

Lindo poema!

Faço um convite para conheceres meu espaço e lá deixares uma marca tua.



Um abraço.