Impressões




Perdi os meus escritos por um mês.
Perdi-me a mim mesma do escrever, há meses.

A poesia envia-me sinais,
raio de luz em sótão empoeirado,
imagem de vida em mundo cristalizado e imóvel.

Pergunto-me sobre o estranho ingrediente,
este que me paralisa,
seca as minhas palavras.

Perco a centelha, mesmo a de uma poesia de impressões
– como em Natal, o poema da areia, da luz, do recorte de mar que nos leva a Ponta Negra.
A aderência à areia. E era tudo.


Pés descalços na areia,
olhos fechados,
ao sol e ao vento, e a luz do sol, e a luz do mar,
a água, a água.
E vinham poemas, com a brisa.
Assim passavam, e eu só.

O silêncio nutre,
sem palavras.


Foto de MVítor.

Comentários

Maria Muadiê disse…
Ana, que lindo! lindo!
Cosmunicando disse…
e como nutre, Ana!
a poesia é sábia, só aparece quando o silêncio está maduro.
beijos querida
Gerana Damulakis disse…
Lindo mesmo. Parabéns!
gostei da delicadeza de cada palavra
Nydia Bonetti disse…
Nossa... Que coisa mais bonita.

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