sábado, 10 de outubro de 2009

Uma antiga viagem e seu silêncio



Fui, vi, voltei. Mas o meu coração em sobressalto ainda quer explodir... Como um oco no centro de mim, onde sintonizo sem disfarce a dor, quando me atinge. Voltei assim da viagem: tudo ecoa, há um oco onde cabe a dor. E há tempo e reconhecimento para isso, agora sei o lugar onde dói, entre coração e diafragma. Essa dor que é a de existir mesmo, dos confrontos e dos limites, e é também a dor desse mundo convulsionado onde vivemos e onde meus filhos vivem, ainda alheios mas vulneráveis. Há um portão fechado no fim do túnel, há muitos acidentes e tensão, e no meio de tudo sonho que quero falar por mim, que é essa a minha questão, essa a minha conquista, sanada a ilusão do migrante, essa de não se estar perdido ainda por lá, nos esquecidos do lugar de onde se veio. Falar por mim, como sou, através desse estar no mundo.


Paredes. Desenho de Ígor Souza (http://www.fotolog.com.br/igorsouza/)


4 comentários:

Cosmunicando disse...

texto denso e feito de experiências que me tocam particularmente, Ana.
beijos

Maria Muadiê disse...

Ana, texto lindo, que vontade de chorar!
Me identifiquei demais, sendo só que oco onde cabe minha dor é no estômago, meu âmago.
um beijo bem grande,
Martha

Ana Cecília disse...

Queridas,

obrigada pela poética companhia.
Parei um pouco agora, e encontrei antigos escritos do silêncio que também se encontram com o modo como me sinto agora.
Beijo grande pra cada uma.

Raiça Bomfim disse...

Belíssimo, Ana! Ler do que é oco e é estrondo dá qualquer pouso ao coração da gente.