Rosácea (para meus amores: Virgílio, Vítor e Ana Clara)


Aflição e trava.
Nenhum exercício, tudo pára.
Não sei se sou alegre ou triste.
A quem afasto, a quem me uno.

Só posso escrever em cega vertigem?
Se o Senhor toma em Suas mãos o meu destino, paraliso?

Abrem-se comportas.
Tenho receio de contar meus segredos enquanto durmo.
Estou visceral e a escrita quer desatar-se.

(Dizia o poeta de Ribeirão da Mata*, em Minas:
Ribeirão da Mata, ata-me.
Desata-me.)

Gratuito e sintético, meu ser.
Amoroso, a áurea cor de rosa.
A rosácea.
Rosa de ventos e afetos.

E como me doem os afetos.
O meu amor, ternura e cuidado.
Meus cuidados, meu bem-querer.
Os filhos e suas trilhas abertas, riscando certeza
em mundo incerto.
Ainda respiro por eles, suspiro, amor, apreensão.

Deixá-los ir, quando ainda desejo guardá-los e protegê-los,
ainda velar por eles adormecidos.
Desvelo.

Os pais, profunda raiz.
Nem tentáculos.
Elos.
Laços.
Terra fértil que me alimenta até hoje.

Silencio diante do último verso (comportas abertas):
pois é tão bela a vida,
verdadeiramente.

Foto: Rosácea da Sainte-Chapelle, em Paris (Wikipedia).

Comentários

anaclara disse…
Obrigada... pelas palavras e pelos gestos de SEMPRE!
TE AMO!
Janaina Amado disse…
Ana Cecília, este poema é simplesmente uma beleza, no seu balanço interior de indecisão diante da vida, mas a vida predominando.
Gosto muito de vir aqui. :-))
mario disse…
lindo mãezinha!
"Os pais, pronfuda raiz. (...)
Terra fértil que me alimenta até hoje"
vale pra vocês também! ;)
bjos
Virgilio disse…
Querida, que lindo! Nem era preciso ser tão bonito para me emocionar aqui sozinho no quarto do hotel! Beijos.
Gerana Damulakis disse…
Belo movimento pendular, tão próprio da vida mesma.
Thiago Paulista disse…
Muito bonito Ana. Estarei um pouco mais atento aos seu casulo pois agora esto ingressando na rede do Blog. Não tenho palavras para elogiar tal poema. Parabéns!
Bjos,
Raiça Bomfim disse…
Que beleza... Verdadeiramente

Postagens mais visitadas