
Noite junina
Em meu silêncio há ruídos de São João.
Agora é noite alta.
As pessoas já não soltam fogos.
A cidade já não parece
uma praça de guerra sob intenso bombardeio.
Escuto,
maravilhada,
este silêncio junino.
Olho com olhos de infância o céu de Salvador,
coalhado de balões.
Salvador tremeluzia-se no céu,
e nos balões,
o meu coração.
Agora a cidade chora, desnuda,
de seu manto de vagalumes.
Recordação
Agora sou menina
e no escuro da noite
sem luz elétrica
há fogueira e rostos fascinados.
E eu sou livre e o fogo,
sedução.
Reflexos de uma cidade sônica. Foto de MVítor.
