terça-feira, 9 de março de 2010

Dias de hoje

Dias de hoje: como vê-los sem espanto?

Leio sobre o pacto suicida da família argentina que temia o fim dos tempos e, diante da inércia de governos e sociedades face à questão ambiental, decide controlar a própria morte. Talvez isto façamos todos, em certa medida, metaforicamente embora, vivendo como vivemos.

Por milagre, o membro mais frágil da família, um bebê de sete meses, sobrevive, mesmo baleado, sendo socorrido após 48 horas e entregue aos cuidados dos avós maternos.

É palpável e concreto o grande terror que vivemos. Cegos e surdos, corações de pedra.

Por alguma razão penso no terror sagrado de Abraão prestes a firmar a Antiga Aliança.

Tenho a aflição dos profetas, aflição de que venham a nós, que cheguem rápido, selvagens como os dias dos nossos dias, novos João Batista, seus cabelos hirsutos, sua pele de carneiro, suas palavras de fogo.

Mas fechamos os olhos, "inocentes do Leblon" que passam óleo na pele e esquecem.

They only gotta a feeling that tonight’s gonna be a good, good night - é tudo que diz a canção mais tocada na última década.


Sinais. Foto de Mário Vítor.