terça-feira, 16 de março de 2010

Quaresma


O poema está em suspenso.

Incompleto, estanque.


A palavra, por vezes, desaba sobre mim,

aos trancos e barrancos,

se nada é suave nos dias que passam.


No Chile, contaram: "eram os gritos e, depois, o terrível silêncio".


Assim estou, memória aos borbotões e, depois, do silêncio,

a imagem que se recorta e emerge.

Palavras se reconstituem, edifícios que se reconfiguram.

Nada é o mesmo se o tempo é de hecatombes e dramas,

tremendos desastres, terrível desespero, espanto sem fim.


Dá-me, Senhor, por um momento e para sempre,

ousar o salto para as águas mais profundas.


160. Foto de Mário Vítor.




3 comentários:

Gerana Damulakis disse...

Belo, me envolveu de imediato.

Thalita, disse...

Ana, é uma honra que você me visite. Mas não vou estender isso pra não ficar piegas :)

Tudo o que leio aqui é lindo. Essa fotografia está especialmente linda, aliás.

Um abraço.

Maria Muadiê disse...

Lindo, Ana. Vc me comove.
beijo