Caçador. Um poema de Carlos Machado.

o amor carrega no bolso
sete grãos de chumbo

pisa torto enxerga pouco
e olha de través

nos dias ímpares
vai à caça

nos pares se recolhe
para chorar

quando sai não diz aonde
vai nem deixa pista

quando chega destrói
a casa e

espalha violetas
pelo chão

o amor carrega no dorso
sete grãos de chumbo

Comentários

virgínia disse…
Muito lindo.
o amor é quase o chumbo...
Seu sobrinho, Alexandre, me indicou este blog.
Adorei as escolhas!
Beijos
Thiago disse…
Por quê o Amor enxerga pouco? Sempre me pareceu que o Amor, pelo contrário, enxerga o que não podemos ver sem amar, enxerga mais. Talvez sejam os olhos da Loucura, como conta a mitologia romana, talvez o Amor apenas pareça não enxergar, porque quem o julga não tem olhos de ver também. Acho que estou só devaneando... Lindo o poema: "quando sai não diz aonde vai nem deixa pista"...

Mas esse devaneio me lembrou outros dois poemas: um de Drummond e outro de Bilac. O 1º fala do "Confronto" fraterno entre o Amor e a Loucura: "Bateu, Amor à porte da Loucura [...]", sabe? O outro termina assim:

"Direis agora: 'Tresloucado amigo!/ Que conversas com elas? Que sentido/ Tem o que dizes, quando não estão contigo?'

E eu vos direi: 'Amai para entendê-las!/ Pois só quem ama pode ter ouvido/ Capaz de ouvir e de entender estrelas'."
Raiça Bomfim disse…
O amor, o amor, o amor... Tão poema e pedra.

Grande Carlitos!

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