segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Erupções magnéticas




A Nasa divulgou no domingo (8) foto que mostra erupções magnéticas no Sol na última semana (as cores foram tratadas para facilitar a identificação das erupções). Ele não ficava tão ativo desde 2001. (Recuperado de: http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/album/1008_album.jhtm?abrefoto=22)


Por vezes acontece de serem as mesmas as palavras,
no espaço sideral e dentro de nós -
seres que somos,
estes,
feitos de matéria estelar.

domingo, 8 de agosto de 2010

Meu pai

Ao ver o "Nova Colheita", lembrei-me de algumas palavras que nós, seus filhos, escrevemos quando esse jovem professor fez 70 anos – aos 75, ele continua sendo uma das pessoas mais jovens que conheço, por sua inesgotável capacidade de emoção, sonho e encantamento diante da vida.

Naquela ocasião, reeditamos seus "Poeminhas de ainda era uma vez", nos quais ele recorda suas raízes, revivendo cenas e pessoas que lhe povoavam a infância.
São recordações encantadas, cheias de lirismo, e que para mim se misturam a outras que ele me conta, também nostálgicas, sempre delicadas, cheias ora de candura (como os nomes que as coisas tinham no Crato, onde havia biscoitos chamados passa-raiva, ou beijo de moça...), ora de tristeza profunda (como sua lembrança do Adagio no. 3, de Albinoni, que marca o dia em que ele, enquanto olhava crianças a brincar, ouve a notícia da deflagração da Segunda Guerra). Muitos dos versos que constam dos Poemas das Horas Contemplativas, que abrem essa "Nova Colheita," e que selecionei de alguns de seus primeiros livros, foram escritos naqueles anos: é a ânsia do Absoluto, afirmando-se contra o horror da guerra.

Os títulos originais desses livros: "Ramilhetes para Telúricos e Transcendentais"; "Sinfonia Interior"; "Poemas do Sangue e do Amor" são sugestivos desse contraste (essa é a minha interpretação, nunca perguntei a ele...).

No prefácio do "Poeminhas", comemorando os 70 anos do pai, registramos o sentimento que nos tomava então a nós, seus filhos:

É pai tão generoso que, mesmo quando presenteado (ou homenageado, como agora), somos nós os agraciados por sua ternura imensa.

Não existem portos seguros. Há tempestade e calmaria, as praias são provisórias. Mas o pai é tão íntegro, farol perene indicando ser possível chegar, que seguimos viagem, supridos de inesgotável reserva de afeto
.

O afeto que o amor desses dois eternos namorados irradiou para nós é nossa herança mais preciosa. Eles sempre foram eternos namorados, indissociavelmente de ser pai e mãe. Nessa unidade, nunca deixava de prevalecer o singular de cada um. Entre ideais comuns, a solidez da fé, as preocupações diferenciadas, as imposições do dia a dia e o mundo dos sonhos, a possibilidade do lúdico e um respeito pela individualidade de cada um, fomos crescendo, sem nunca perder o gosto de viver, de estar juntos, sem desistir de sermos felizes e fiéis a nós mesmos. Muitas vezes, naturalmente, os caminhos parecem estranhos, obscuros – sem um porto seguro... Nas construções pessoais que fazemos, contudo, estão, indeléveis, essas marcas.

Dos dois vem, também, a possibilidade que vários dos filhos temos de transformar vida em palavra escrita – a marca do indelével... Meu pai incluiu no Nova Colheita um outro prefácio – o que ele próprio escreveu para o meu primeiro livro de poemas. Esse prefácio é, sem sombra de dúvida, a página mais bela de meu próprio livro.

Para meu pai – e ele escrevia isso então - a poesia é um fazer para doar. Em suas palavras: Sua essência é de uma interioridade tão íntima, que se teria por incomunicável, mas ao mesmo tempo, é de uma irradiação tão poderosa, que se não contém no universo espiritual de quem por ela é estigmatizado.

Em meu pai, a pessoa e o poeta são indissociáveis. Ele já faz poesia simplesmente ao ser como é; e nele, realmente, o fazer poesia é doar-se. Ele me disse uma vez, um pouco tímido diante da própria necessidade de deixar que aquilo que escreve se irradie: escrever poesia, porque não faz mal a ninguém. Sua poesia, sem rótulos, é feita de delicadeza e integridade. Em mim, muitas vezes essa posse em surdina da poesia é arrogância, auto-suficiência, isolamento, pouco saber. Tenho muito o que aprender desse desapego, dessa forma de liberdade que ele alcança e que generosamente revelava, fazendo para se doar, ao dizer, em seu prefácio ao livro de alguém que ensaiava seus primeiros poemas:

Ser você mesma, com inteira humildade, num mundo violento e esmagador e, ao mesmo tempo, rico em valores e caminhos...

e

Não se trair na poesia, nem trair a poesia, nada recusando daquilo que faz e constitui a dignidade humana.

E mais adiante, sabedoria maior, privilégio reservado a telúricos transcendentais, ele dizia:

O homem, em suas limitações, e o mundo, em sua ordem e em sua desordem, não nos podem satisfazer.

Peregrinar para o Absoluto – é por aí que a nossa indigência se vai superando a si mesma, descobrindo roteiros de crescimento e transfiguração.


Ser ele mesmo, não se trair na poesia, peregrinar para o Absoluto. É isso que esse pai poeta realiza em si próprio... Ele, que é página tão bela, indelével, em nossas vidas.
Salvador, 04 de novembro de 1997.
Ana Cecília

Em: Cariricaturas em Verso e Prosa. Editado por Emerson Monteiro, Socorro Moreira e Claude Bloc, 2010.

Obs.: Aos 88 anos, José Newton Alves de Sousa, meu pai, continua sendo este de quem falam estas palavras.

sábado, 7 de agosto de 2010

Ontem. Hoje. Até quando?

Calle 13 e Mercedes Sosa - Para un niño de la calle

(Mercedes Sosa - estrofes 1, 3, 5.
Calle 13 - Armando Tejada Gómez e Ángel Ritro - estrofes 2 e 4).

A esta hora exactamente,
Hay un niño en la calle....
¡Hay un niño en la calle!
Es honra de los hombres proteger lo que crece,
Cuidar que no haya infancia dispersa por las calles,
Evitar que naufrague su corazón de barco,
Su increíble aventura de pan y chocolate
Poniéndole una estrella en el sitio del hambre.
De otro modo es inútil, de otro modo es absurdo
Ensayar en la tierra la alegría y el canto,
Porque de nada vale si hay un niño en la calle.


Todo lo toxico de mi país a mi me entra por la nariz
Lavo autos, limpio zapatos, huelo pega y también huelo paco
Robo billeteras pero soy buena gente soy una sonrisa sin dientes
Lluvia sin techo, uña con tierra, soy lo que sobro de la guerra
Un estomago vacío, soy un golpe en la rodilla que se cura con el frío
El mejor guía turístico del arrabal por tres pesos te paseo por la capital
No necesito visa pa volar por el redondel porque yo juego con aviones de papel
Arroz con piedra, fango con vino, y lo que me falta me lo imagino.


No debe andar el mundo con el amor descalzo
Enarbolando un diario como un ala en la mano
Trepándose a los trenes, canjeándonos la risa,
Golpeándonos el pecho con un ala cansada.
No debe andar la vida, recién nacida, a precio,
La niñez arriesgada a una estrecha ganancia
Porque entonces las manos son inútiles fardos
Y el corazón, apenas, una mala palabra.


Cuando cae la noche duermo despierto, un ojo cerrado y el otro abierto
Por si los tigres me escupen un balazo mi vida es como un circo pero sin payaso
Voy caminando por la zanja haciendo malabares con 5 naranjas
Pidiendo plata a todos los que pueda en una bicicleta en una sola rueda
Soy oxigeno para este continente, soy lo que descuido el presidente
No te asustes si tengo mal aliento, si me ves sin camisa con las tetillas al viento
Yo soy un elemento mas del paisaje los residuos de la calle son mi camuflaje
Como algo que existe que parece de mentira, algo sin vida pero que respira


Pobre del que ha olvidado que hay un niño en la calle,
Que hay millones de niños que viven en la calle
Y multitud de niños que crecen en la calle.
Yo los veo apretando su corazón pequeño,
Mirándonos a todas con fábula en los ojos.
Un relámpago trunco les cruza la mirada,
Porque nadie protege esa vida que crece
Y el amor se ha perdido, como un niño en la calle.
Oye a esta hora exactamente hay un niño en la calle
Hay un niño en la calle.


O vídeo está neste link: http://www.youtube.com/watch?v=apzGIJNipdY&feature=related