segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Muita paz!




Em cada amanhecer do Novo Ano.


Foto: Itacimirim. MVitor.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Feliz Natal!

AQUI:

http://www.jacquielawson.com/viewcard.asp?code=2621790538064&source=jl999

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Decretos de Natal, um texto de Frei Betto





1. Fica decretado que, neste Natal, em vez de dar presentes,
nos faremos presentes junto aos famintos, carentes e excluídos.
Papai Noel será malhado como Judas e,lacradas as chaminés, abriremos corações e portas à chegada salvífica do Menino Jesus.

2. Por trazer a muitos mais constrangimentos que alegrias,
fica decretado que o Natal não mais nos travestirá no que não somos:
neste verão escaldante, arrancaremos da árvore de Natal todos os algodões de falsas neves; trocaremos nozes e castanhas por frutas tropicais;
renas e trenós por carroças repletas de alimentos não perecíveis;
e se algum Papai Noel sobrar por aí, que apareça de bermuda e chinelas.

3. Fica decretado que cartas de crianças só as endereçadas ao Menino Jesus,
como a do Lucas, que escreveu convencido de que Caim e Abel não teriam brigado se dormissem em quartos separados; propôs ao Criador ninguém mais nascer nem morrer, e todos nós vivermos para sempre; e, ao ver o presépio,prometeu enviar seu agasalho ao filho desnudo de Maria e José.

4. Fica decretado que as crianças, em vez de brinquedos e bolas, pedirão bênçãos e graças, abrindo seus corações para destinar aos pobres todo o supérfluo que entulha armários e gavetas. A sobra de um é a necessidade de outro, e quem reparte bens partilha Deus.

5. Fica decretado que, pelo menos um dia, desligaremos toda a parafernália eletrônica, inclusive o telefone e, recolhidos à solidão, faremos uma viagem ao interior de nosso espírito, lá onde habita Aquele que, distinto de nós, funda a
nossa verdadeira identidade. Entregues à meditação, fecharemos os olhos para ver melhor.

6. Fica decretado que, despidas de pudores, as famílias farão ao menos um momento de oração, lerão um texto bíblico, agradecendo ao Pai de Amor o dom da vida, as alegrias do ano que finda, e até dores que exacerbam a emoção sem que se possa entender com a razão. Finita, a vida é um rio que sabe ter o mar como destino, mas jamais quantas curvas, cachoeiras e pedras haverá de encontrar em seu percurso.

7. Fica decretado que arrancaremos a espada das mãos de Herodes e nenhuma criança será mais condenada ao trabalho precoce, violentada, surrada ou humilhada. Todas terão direito à ternura e à alegria, à saúde e à escola, ao pão e à paz, ao sonho e à beleza.


8. Fica decretado que, nos locais de trabalho, as festas de fim de ano terão o dobro de seus custos convertido em cestas básicas a famílias carentes. E será considerado grave pecado abrir uma bebida de valor superior ao salário mensal do empregado que a serve.

9. Como Deus não tem religião, fica decretado que nenhum fiel considerará a sua mais perfeita que a do outro, nem fará rastejar a sua língua, qual serpente venenosa, nas trilhas da injúria e da perfídia. O Menino do presépio veio para todos, indistintamente, e não há como professar o "Pai Nosso" se o pão também não for nosso, mas privilégio da minoria abastada.

10. Fica decretado que toda dieta se reverterá em benefício do prato vazio de quem tem fome, e que ninguém dará ao outro um presente embrulhado em bajulação ou escusas intenções. O tempo gasto em fazer laços seja muito inferior ao dedicado a dar abraços.

11. Fica decretado que as mesas de Natal estarão cobertas de afeto e, dispostos a renascer com o Menino, trataremos de sepultar iras e invejas, amarguras e ambições desmedidas, para que o nosso coração seja acolhedor como a manjedoura de Belém.
12. Fica decretado que, como os reis magos, todos daremos um voto de confiança à estrela, para que ela conduza este país a dias melhores. Não buscaremos o nosso próprio interesse, mas o da maioria, sobretudo dos que, à semelhança de José e Maria, foram excluídos da cidade e, como uma família sem-terra, obrigados a ocupar um pasto, onde brilhou a esperança.

12. Fica decretado que, como os reis magos, todos daremos um voto de confiança à estrela, para que ela conduza este país a dias melhores. Não buscaremos o nosso próprio interesse, mas o da maioria, sobretudo dos que, à semelhança de José e Maria, foram excluídos da cidade e, como uma família sem-terra, obrigados a ocupar um pasto, onde brilhou a esperança.



No presépio vivo, aparecem Ana Clara, Henrique, David e Léo, que foi o Menino Jesus naquele ano.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Um poema de Rabindranath Tagore, presente de um amigo querido





On The Seashore



On the seashore of endless worlds children meet.
The infinite sky is motionless overhead
And the restless water is boisterous.
On the seashore of endless worlds
The children meet with shouts and dances.

They build their houses with sand,
And they play with empty shells.
With withered leaves they weave
Their boats and smilingly float them
On the vast deep.
Children have their play on the
Seashore of worlds.

They know not how to swim,
They know not how to cast nets.
Pearl-fishers dive for pearls,
Merchants sail in their ships,
While children gather pebbles
And scatter them again.
They seek not for hidden treasures,
They know not how to cast nets.

The sea surges up with laughter,
And pale gleams the smile of the sea-beach.
Death-dealing waves sing
Meaningless ballads to the children,
Even like a mother while rocking her baby's cradle.
The sea plays with children,
And pale gleams the smile of the sea-beach.

On the seashore of endless worlds children meet.
Tempest roams in the pathless sky,
Ships are wrecked in the trackless water,
Death is abroad and children play.
On the seashore of endless worlds is the
Great meeting of children.



Foto: Imensidão. MVítor.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Presente para o domingo

minto! para a vida.
Adélia Prado, no Espaço Aberto.


Primeira parte:

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1387113-7823-APOS+UMA+DECADA+DE+SILENCIO+ADELIA+PRADO+RESSURGE+COM+O+LIVRO+A+DURACAO+DO+DIA,00.html


Segunda parte:

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1391382-7823-ADELIA+PRADO+FALA+DE+SEUS+SONHOS+E+MEDOS,00.html

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Série Oníricos (2).




ATEMPORAL

O canal aberto para o real em seu âmago é por sobre o universo.
Energias intangíveis, incontáveis.
Espaço bruto, indomado.
Essa coisa ignota busco preservar, alimentar, tornar palavra,
para que dela saia a poesia.
Assim me movo no sonho sem história.
O sonho é sem tempo e é eterno.
É terno, movimento fluido, diáfano, tudo é possível,
tudo é suave.

Nesse espaço-tempo me desfiguro, me reconfiguro,
calada e só,
entre tanto.

Perambulo em espaços secretos povoados de formas, nimbos,
nuvem, ilusão.
Não é preciso chegar.

Tudo isso ressoa em meu silêncio.
Rumor de passos fazendo eco em inéditas ruas.
Ali estou, sem palavras, apenas imagens, reverberantes.
Ali nunca estive, no entanto ali estou,
tudo é possível.

Ecos vestígios, resquícios do que vivi de intenso, imponderável, imenso,
e do que ao mesmo tempo nada é.

Farol a brilhar no escuro – talvez como a luz de uma pequenina estrela, há muito morta mas que ainda agora nos chega, nessas vias em que o sonho faz a curva.

De dentro dessa persistente ferida tento extrair, machucando o nervo exposto,
um verso.

Imagem: Árvorevida. Gustav Klimt.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Uma alegria para sempre. De Mário Quintana.




As coisas que não conseguem ser
olvidadas continuam acontecendo.
Sentimo-las como da primeira vez,
sentimo-las fora do tempo.
nesse mundo do sempre onde as
datas não datam. Só no mundo do nunca
existem lápides... Que importa se -
depois de tudo - tenha "ela" partido,
casado, mudado, sumido, esquecido,
enganado, ou que quer que te haja
feito, em suma? Tiveste uma parte da
sua vida que foi só tua e, esta, ela
jamais a poderá passar de ti para ninguém.
Há bens inalienáveis, há certos momentos que,
ao contrário do que pensas,
fazem parte da tua vida presente
e não do teu passado. E abrem-se no teu
sorriso mesmo quando, deslembrado deles,
estiveres sorrindo a outras coisas.
Ah, nem queiras saber o quanto
deves à ingrata criatura...
A thing of beauty is a joy for ever
- disse, há cento e muitos anos, um poeta
inglês que não conseguiu morrer.