Bahia depois do carnaval




POSSE



Dias em que somos acometidos pela cidade.

A cidade é soberana e nós,
seres involuntários na paisagem.

O mar, o sempre
sentimento do que é talássico,
báratro, abismo.
O oceano absoluto a nos envolver,
envoltório simultâneo de ruas acanhadas e eternas.

Dias em que a cidade se sobrepõe muito naturalmente à rotina
e nada somos senão seus viventes.

Dias em que palavras são apenas
a superfície das coisas,
e como tal as dispo
e sigo nua,
desmielinizada.


Em: Uma Vaga Lembrança do Tempo
Foto: Lá no Farol, MVítor.

Comentários

Ramon Alcântara disse…
Somos cogumelos da urbanidade.
Ana Cecília disse…
Bela imagem, Ramon.
Parabéns pela conclusão do mestrado e ingresso no doutorado!
abraço, Ana.
Thalita, disse…
Coisa mais linda :˜)

A cidade toda é um lugar
e nunca um território
e nunca um mero espaço
para quem tem coração.


Beijo, Ana!
Ana Cecília disse…
obrigada, Thalita!
Estava procurando o curriculum lattes de Dra. Isabel Maria, quando me fui direcionada a esse blog. Um grande achado! Estou adorando!

(Sabrina Telles)

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