
(por sua sensibilidade, filha.)
imagens todas que se toldam, velozes,
águas de nunca visto rio que me acometem
cada gesto, cada som
detalhe mensagem
degustá-los, queria: ver, contemplar
pois que sou contemplativa
águas passam,
passam imagens
fatos já não são
já não haja
que não me tomem
sou eu que me deixo perfurar em todas as camadas de
mielina
por qualquer belo sutil cruel
detalhe dessa vida
às vezes sou névoa e estou imersa
parte indiferenciada
o meu gesto rompe a bruma por vezes e emerge o vulto que sou eu,
singular
húmus, orvalho, sombra nessa clareira
pois não há como depurar a dor da menina que não conheci mas de cuja morte
sei
de cujos 14 anos
sei
de cujo corpo grávido perfurado por 15 balas
sei.
Foto: Nuances. MVítor.
10 comentários:
Lindo Ana Cecília. Um grande beijo, Maria Lucia
Cecília, que poema mais lindo... Estou emocionada...
amei! lindo demais! obrigada Ana! Mari
Pura emoção...
Obrigada pelas palavras, mãe.
nada como a sensibilidade e poder da palavra para um sussurro de dor
ana, você tem o dom de tocar o indizível através do belo, esse é o poder maravilhoso e incomensurável do artista.
Lindo Ana! Ainda bem que da dor pode emergir a poesia...senão, que seria de nós?
Profundamente lindo.
que coisa mais linda... me lembrou Frida Kahlo!
beijos...
Lindo, lindo, lindo.
Estava com muita saudade de sua poesia.
um beijo
Postar um comentário