terça-feira, 4 de outubro de 2011

Da Dor






A dor é algo como se não fosse.

Derrapagem à beira do abismo

(aquele como se não estivesse).

Holofote sobre escura porção de sombras.


Eco à revelia do próprio eu

re-ver-be-ra-ção

por sobre o dia.


Fissura aberta minando,

ora esquecida ora sempre,

em alguma parte do corpo

como se fosse o todo.



Dasdô?

Na infância era uma prima

e seus olhos encovados.


Publicado em Uma Vaga Lembrança do Tempo.
Foto: "Prisioneiro do Tempo". MVítor.

2 comentários:

Thalita. disse...

Que verdade tão lucidamente descortinada. Que lindas palavras, Ana.

Ana Cecília disse...

Às vezes as palavras se encontram com o sentimento e nos fazem expressar aquilo que sequer sabíamos e que então, como você diz, Thalita, descortinamos. Beijo!