quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Uma Mulher



Hoje é julho e sou uma mulher.

Sou só e nua.

Quero, sim, o fruto proibido,

rubro e teso em minha pele.

Quero a última gota,

latejo e açoite,

o gozo impossível,

pleno fugaz (e)terno.



Não conheço essa aflição que sou eu no mais secreto.

Desfibrilação, desfalecimento, desvario que se desata.

Desejo que se desvela, nu e sem decência.

Não posso nomear o que me toma, e me reduz,

e me arrebata,

e só, e nua.


O silêncio da caverna.




Publicado em A Impossível Transcrição (De tudo fica a poesia).

4 comentários:

Thalita. disse...

Maravilhoso!

Ana Cecília disse...

:)

Renata Moreira da Silva disse...

Li! Amei! E publiquei em meu blog em sua homenagem e, é claro, em homenagem ao poema: que é maravilhosamente feminino e forte! Como não poderia deixar de ser!!!

Stela disse...

"Não conheço essa aflição que sou eu no mais secreto."

Não conheço meus mistérios... mas estou tateando as paredes da minha caverna.

Identifiquei-me totalmente com teus versos, Ana.
beijo