quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Poema escrito durante a greve da PM em 2001

Imagens de Salvador sitiada


O silêncio felino nestas noites em que o absurdo nos toma.

As fotos de Salvador tomada pela violência.

Em Pituaçu, o artista palmilha silencioso e melancólico os vestígios da destruição*.

Perplexo, atônito.

A criança chora sem nada compreender.

O desconexo das imagens e o longo caminho da cidade.

A cidade submersa, a cidade ao sol.

O corpo ferido da cidade.

A cidade viva e violenta.

A morte.

Busco a sintonia possível com seu movimento sempre tão dentro da minha própria pele.

A cidade emudece, paralisada.

Silêncio onde havia gritos e algazarra.

Gritos onde tudo era murmúrio.

O gato passa silencioso e atravessa o opaco em luvas de algodão e espinho.




*Mário Cravo, cujas esculturas haviam sido depredadas.