Poema escrito durante a greve da PM em 2001

Imagens de Salvador sitiada


O silêncio felino nestas noites em que o absurdo nos toma.

As fotos de Salvador tomada pela violência.

Em Pituaçu, o artista palmilha silencioso e melancólico os vestígios da destruição*.

Perplexo, atônito.

A criança chora sem nada compreender.

O desconexo das imagens e o longo caminho da cidade.

A cidade submersa, a cidade ao sol.

O corpo ferido da cidade.

A cidade viva e violenta.

A morte.

Busco a sintonia possível com seu movimento sempre tão dentro da minha própria pele.

A cidade emudece, paralisada.

Silêncio onde havia gritos e algazarra.

Gritos onde tudo era murmúrio.

O gato passa silencioso e atravessa o opaco em luvas de algodão e espinho.




*Mário Cravo, cujas esculturas haviam sido depredadas.

Comentários

Querida Ana, bom dia. Este poema seu é eterno e atemporal. É mais que um retrato de um momento. As imagens contidas nele me capturam sempre. Lembro quando você me mostrou ainda inédito.Parabéns!!!
Anônimo disse…
Este comentário foi removido por um administrador do blog.

Postagens mais visitadas