sexta-feira, 15 de junho de 2012

Outdoor








Este trem em néon desperta em mim paisagens:
do que na infância fazia festa.

Este homem velho atravessa a rua em direção ao ponto de ônibus.
A rua parece cravada em mim.
O ríctus em sua boca, dor secreta,
contrai minha própria face.

O peso da idade, da vida
e do guarda-chuva.

Meu pai em seus passos
de homem velho.

Tantos caminhos dentro de mim.

Tão frágil a vida.
Tão forte o ser.


Foto de Mário Vítor: "Vertigem".

5 comentários:

Raiça Bomfim disse...

"Tão frágil a vida.
Tão forte o ser"

Parece que é essa a frase que tenho ouvi desde sempre...

Raiça Bomfim disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Susana Meirelles disse...

Lindo Ana...
em tão poucas palavras, diz tanto!

Adrianna Coelho disse...




com tanto peso e tão leve...

é, Ana, precisamos manter nossos blogs vivos, dar vida à nossa poesia.

um beijo!

Ana Cecília disse...

essas palavras ("tão frágil a vida, tão forte o ser"). vieram muito de dentro, muito de tudo que tenho vivido nos últimos tempos.
Vieram de dentro de mim mas é como se não fossem minhas, fossem dadas pra mim, sei que vocês sabem como é isso.
Beijos!