domingo, 13 de janeiro de 2019

Poema de janeiro


Poema de janeiro

para Eulina Lordelo e Antonio Virgílio Bastos

Atravessamos a estrada envoltos numa nuvem de borboletas amarelinhas.
Nuvem de lirismo se instaura na alma.
Meu companheiro está reflexivo e neste exato momento de Brasil
não nutrimos grandes esperanças enquanto seguimos
de mãos dadas, esperança
do presente que é tão grande.
Não nos afastemos.
Nada falamos e nossos celulares guardam segredos.
Janeiro é viveiro
de lembranças.
A poesia se trava.
Palavras se esmagam a si mesmas, como nuvens amarelas de borboletas mortas no vidro do carro.
O Vale do Capão é imenso, é cuidado, acolhimento, flores.
Estamos na casa de amizade, silêncio e pássaros.
A poesia do silêncio está aqui: a água dos rios nas pedras, o canto dos pássaros, a rosa, as rochas, morros e pedras.
A amiga é rocha e é paz.

O Brasil é tão belo que dói.

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